terça-feira, 15 de março de 2011

Radiação... pior arma!

Risco nuclear no Japão faz ex-soldado que vive em SP relembrar tragédia.
'A radiação tem poderes que ninguém nunca mais pode conter', afirma.

Para o comerciante Takashi Morita, as imagens do Japão arrasado pelo terremoto, pelo tsunami e agora sob o temor do risco nuclear são um “pesadelo”. Aos 87 anos e morando em São Paulo desde 1956, ele sobreviveu, em 6 de agosto de 1945, à bomba nuclear jogada sobre a cidade japonesa de Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. A bomba explodiu a cerca de 1,3 km de onde Morita estava. Na época, ele era soldado da polícia japonesa e tinha 21 anos.

“Isso que está acontecendo no meu país me faz sofrer muito, é muito triste. Nós, os sobreviventes das bombas nucleares, lutamos pela paz e contra a energia nuclear. A radiação é a pior arma que existe. Não tem cheiro, não podemos vê-la, não tem barulho, não deixa rastro. As pessoas vão sentir seus efeitos ao longo do tempo”, diz o comerciante.
Hoje, ele é presidente da Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, que integra 120 sobreviventes da tragédia e seus descendentes.

Quando a bomba atômica atingiu Hiroshima, o soldado vestia uniforme militar e acredita que por isso foi protegido. Como usava boné, também não teve problemas no rosto, mas sofreu uma queimadura grave na nuca, o que o impediu de continuar ajudando no resgate das vítimas por muito tempo.
“Depois da bomba, todos os sobreviventes deixaram Hiroshima, porque a radiação se alastrava. Mas eu fiquei durante dois dias, só carregando corpos, ajudando pessoas. Nestes dois dias, não comi nem bebi nada na cidade. Tudo podia estar contaminado e me contaminar por dentro. Se a radiação entra dentro de nós, daí não tem salvação”, afirma.

“Eu também estava em missão, trabalhando, não sentia fome. Depois, no terceiro dia, meu comandante me mandou ir para um hospital fora da cidade cuidar da queimadura, que estava ficando ruim”.

Tahiane Stochero Do G1, em São Paulo

Terremoto e Tsunami

Subiu para 3.373 o número de mortes causadas pelo terremoto e pelo tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março, segundo boletim oficial divulgado nesta terça-feira. De acordo com o governo do país, 6.746 estão desaparecidos.
Estimativas indicam que o número de vítimas fatais pode ultrapassar 10 mil. Mais de 500 mil pessoas estão desabrigadas, enquanto dois milhões de residências permanecem sem eletricidade e quase o mesmo número, sem água.
As equipes de resgate continuam buscando sobreviventes. Nesta terça-feira, uma mulher de 70 anos foi resgatada com vida, quatro dias após o terremoto.